E o sábado chegou
Assim parecido com a morte
E eu que nunca fui muito forte
Estou deitado na cama desafiando o universo
A cada verso peço nova sorte
Afaste-me dela, traga ela pra mim
Me mate
Do estômago, do coração ou do rim
Até mesmo de infarte
Eu já fiz minha parte, já sofri
Eis-me aqui deitado, jogado
Nem um pouco embriagado
Pra desdizer o que eu fiz
Mas só o que me chega
É uma diarréia
Ora, que ideia
Esse universo é mesmo esperto:
Ao invés de ficar dizendo merdas
Vá logo fazê-las
Quem sabe assim você se livra delas
E pode voltar a ser feliz
sábado, 30 de janeiro de 2016
terça-feira, 19 de janeiro de 2016
Um gato qualquer
Como é difícil amar uma gata
Quando se é um cão infeliz
Sem querer ela me maltrata
Só por ser o que é e o que sempre eu quis
Sabe bem encontrar o momento
Chega perto, se esfrega e se vai
E aí que começa o tormento
Você lava, lava e o cheiro dela não sai
É uma gata de amor infinito
Tão sábia e forte, eu posso sentir
Essa força que eu acredito
Ser a semelhança que ainda vai nos unir
Agora você me compreende, amigo?
Não foi simplesmente uma mulher
O que ela quiser que eu faça eu consigo
Ser seu cão mais fiel ou um gato qualquer
Quando se é um cão infeliz
Sem querer ela me maltrata
Só por ser o que é e o que sempre eu quis
Chega perto, se esfrega e se vai
E aí que começa o tormento
Você lava, lava e o cheiro dela não sai
Tão sábia e forte, eu posso sentir
Essa força que eu acredito
Ser a semelhança que ainda vai nos unir
Não foi simplesmente uma mulher
O que ela quiser que eu faça eu consigo
Ser seu cão mais fiel ou um gato qualquer
terça-feira, 22 de setembro de 2015
Drummundo
Vasto Mundo.
Se você fosse de todo mundo
Sem fronteiras, eiras
Nem beiras
Não seria apenas rima.
Seria solução!
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Poema 02
Compreender o que aconteceu
Entender cada momento seu
E quais deles também são meus
Em quais deles serei teu
Não criar idéias tolas
Imagens presunçosas
Não trocar as bolas
Cada dia em que sou teu
Vale um ano sem saber o que sou
domingo, 21 de junho de 2015
Todos seus amores
Eu quero ser com você
Tão transparente quanto a água
Quero a água da tua boca
Do beijo molhado
Quero deixar teu corpo molhado
Quero ficar deitado ao teu lado
Como um herói derrotado
Que precisa ser consolado
Quero consolar tuas dores
Secar tuas lágrimas
De tristeza, de alegria, de cores
Quero ter todos seus amores
Quero seu amor.
Quero ser com você
Os alicerces do mesmo teto
Como um dia completo
Despertar e anoitecer,
Sonhar acordado ou dormindo com você
Quero comemorar seus desejos realizados
Quero gozar eles certos ou errados
Perdões ou pecados
Quero sê-los, dá-los, tê-los de você
Quero descobrir todos seus caminhos, corredores
Quero viver todos seus amores
Quero seu amor.
Quero com você
Um mundo revolucionado
Aprender o novo, abandonar o que sou ultrapassado
Como a vitória do povo
Quero te conquistar e te celebrar
Pelas armas, palavras e flores
Quero ser todos seus amores
Quero seu amor.
Fui
E eu nem acreditava
Fui
E fui contra a corrente
Fui
E foi melhor do que
imaginava
Fui
Porque com você preciso
fazer diferente
Fui
Larguei tudo que eu
tinha
A mesa da sala, o
armário da cozinha
A estante de livros no
quarto, uma tarde vazia
Fui e é como se você
Tivesse vindo me ver
Fui
Gastei tempo e dinheiro
que eu não tinha
A passagem mais cara, os
comentários da vizinha
O aluguel atrasado,
trabalho de manhãzinha
E foi como se nada mais
Ousasse acontecer
Fui
E fiquei dia e noite ao
teu lado
Caminhando na rua, na
fila do mercado
Dormindo um filme na
rede, no colchão acordado
Fui e o que eu sei
É que volto outra vez
Fui
E é como se
Eu voltasse mais você
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Aos que ocupam a história
Porque foste na engrenagem da história
Um dente rebelde que doía e sangrava
Mas que suportava todos os golpes
De alicates arrancando
De paus perfurando
De cordas sufocando
De lonas ocultando
Tua carne e teus ossos
Mas que não caía
Pois suas raízes estavam profundas
Na terra regada ao sangue dos trabalhadores e trabalhadoras
Onde mantivera seus pés firmes
Mesmo sobre o óleo que corria das fábricas
E fizera escorregar tantos outros
Cegados pelas miragens da ilusão de classes
homens de ontem e de hoje
Que de uma forma ou de outra
quarta-feira, 16 de julho de 2014
Mãe Palestina
![]() |
| Arte de Abdel Rahmen Mozayen |
Deve ser atacar sua própria terra.
Talvez por isso os foguetes sejam tão inofensivos
Como a mãe que repreende o filho
Batendo mais com sua moral, para chamar a atenção
Do que com a própria violência do golpe.
Israel é o vizinho mau da casa ao lado
Afinal, desde quando, alguém agride o filho alheio?
Ainda mais contra a vontade de seus próprios filhos
Que sofrem ao ver o amigo chorando.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Vai-te embora coração
Vai-te embora coração
Deste corpo que não te pertence
Se não vai
Que de repente
Aqueles olhos, há de ti querer
E te querer aqueles olhos
Vai-te embora coração
Arreda pé desse caminho
Não me amole
Assim mansinho
Porque entre um gole e um carinho
Quem fica com as dores sou eu
Vai-te embora coração
segunda-feira, 10 de março de 2014
Conselhos para o próximo Carnaval
Não quer ser lembrado pelo mau poema que escreveu - Mesmo que só ele perceba
E que a todos seja agradável –
Não deve escrever muito
Amar muito
Não deve viver muito.
Assim como quem não quer lamentar um amor
Não quer remoer-se pelo suco gástrico da amargura
Ainda com altos teores de álcool e confetes do carnaval
Não deve amar muito,
Viver muito.
Não deve escrever
Uma carta de amor sequer.
Não é de bom grado –
Para quem tem muito amor –
Viver e escrever
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Mais um conto de verão...
Romperam de
vez quando ele colocou o ventilador ao lado da mala.
Era o sinal
de que não havia mais amor.
Dormir um de
costas para o outro era justificável naquele verão infernal.
Mas ali
estava a separação. Era o exemplo de toda a individualidade dele. De toda sua
falta de empatia. Acima de tudo – falta de compaixão.
Por isso ele
nem se ressentia em tomar o caldinho que fica quando o sorvete derrete. E a
expressão que ele fazia quando ela pedia o último gole da cerveja antes de
saírem do bar.
E sem paixão
o que sobra do amor?
Agora ele
espera o metrô na plataforma.
Sentado em
cima da mala. Não olha vagamente.
Tem os olhos
fixos no ventilador. Analisa os danos.
terça-feira, 23 de julho de 2013
Aos crucificados da Candelária
Paulo R. Oliveira morava na rua
[vagabundo
Anderson O. Pereira cheirava cola
[drogado
Paulo J. Silva pedia dinheiro no farol
[pivete
Marcos A. Alves Silva não ia pra escola
[maloqueiro
Leandro S. Conceição furtava comida
[delinquente
Gambazinho ficava pedindo esmola
[desocupado
![]() |
| São vinte anos atados numa cruz. |
Valdevino M. de Almeida era preto
[bandido
Marcelo C. Jesus catava papelão
[ignorante
E não foram eles que escolheram
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Ecos, coração, estrelas
No escuro do cometa azul
Que desliza pela estrada sem cor
Ecoam insistentemente as batidas
Do coração que ficou pra trás
E ao ouvi-las se transformam
Nas estrelas do céu de Minas
Gerais.
E os olhos que verteram lágrimas
Ainda que de saudades –
Felizes – não de dor,
Expeliam das mais brilhantes
Águas, cevaram o amor.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
O vago que move
Daquilo que eu quero escrever
Como os furos de uma blusa de lã tricotada
Como o interior de um balão flutuando
Como o rio que lentamente vai-se anônimo sob a ponte de madeira no interior do país
Como o vazio dos zeros de um milhão
Como a colmeia que tem no oco dos favos o mel
É o poder do silencio
Que quero as pessoas sentindo ao ler
Como a descarência do abraço apertado
Como o não respirar do beijo apaixonado
Como o surdo encontrar de olhos ao descer do ônibus em uma
rodoviária em Minas Gerais
Como o sorriso amarelo de café
Do cronista que passou noites acordado
sexta-feira, 14 de junho de 2013
As revoluções são assim (Era outono e as flores nasciam)
Era noite e
as ruas se iluminavam
Era em São
Paulo e as pessoas se uniam
Eram balas e
ficaram macias
Eram bombas e
ninguém fugia
Era o estado
e era a rebeldia
As revoluções
são assim
Se inverte a
ordem das coisas e o povo toma o céu de assalto num pulo.
As sirenes se
tornaram melodia
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