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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Cadê tu

Onde está tu, poesia,
Quando o mundo precisa de você pra não me acabar
Estou quase achando normal um amor em que não se ama
Uma revolução sem levantar chamas
Música que não dá vontade de dançar
Onde está tu
Quando não se corrige mais quem erra
Nobel da paz é dado pra quem camufla melhor a guerra
E se soterra os caminhos que deveríamos trilhar
Onde está tu, poesia
Agora que o dia-a-dia virou apenas dia-a-dia
Que uma cama vazia é apenas cama vazia
E não mais lugar pra se sonhar
E desesperar
Cadê, cadê tu, poesia

sexta-feira, 28 de março de 2014

Vai-te embora coração

Vai-te embora coração
Deste corpo que não te pertence
Se não vai
Que de repente
Aqueles olhos, há de ti querer
E te querer aqueles olhos

Vai-te embora coração
Arreda pé desse caminho
Não me amole
Assim mansinho
Porque entre um gole e um carinho
Quem fica com as dores sou eu

Vai-te embora coração

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Ecos, coração, estrelas

No escuro do cometa azul
Que desliza pela estrada sem cor
Ecoam insistentemente as batidas
Do coração que ficou pra trás
E ao ouvi-las se transformam
Nas estrelas do céu de Minas Gerais.

E os olhos que verteram lágrimas
Ainda que de saudades –
Felizes – não de dor,
Expeliam das mais brilhantes
Águas, cevaram o amor.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Protesto Poético

O poeta russo Maiakovsky

Não vou renegar meu passado de poeta analfabeto
Não vou me curvar às regras da burguesia da língua
Vou ser um rebelde dos versos sem métrica
Farei passeata pelas estrofes com as palavras oprimidas
Caminharei de mãos dadas com os sentimentos
Carregarei a bandeira do livre-arbítrio literário
Fonemas, adjetivos, verbos e substantivos
Perderão seu caráter de classe e seus privilégios sintáticos
Todos serão palavras. Sem distinção de raça, credo, função ou cor
Minha poesia será para os que não sabem ler
Será para os que não compreendem o ultralfabetismo do intelectual
Será para os que trabalham e sabem do que eu digo