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sexta-feira, 28 de março de 2014

Vai-te embora coração

Vai-te embora coração
Deste corpo que não te pertence
Se não vai
Que de repente
Aqueles olhos, há de ti querer
E te querer aqueles olhos

Vai-te embora coração
Arreda pé desse caminho
Não me amole
Assim mansinho
Porque entre um gole e um carinho
Quem fica com as dores sou eu

Vai-te embora coração

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mais um conto de verão...

Romperam de vez quando ele colocou o ventilador ao lado da mala.
Era o sinal de que não havia mais amor.
Dormir um de costas para o outro era justificável naquele verão infernal.
Mas ali estava a separação. Era o exemplo de toda a individualidade dele. De toda sua falta de empatia. Acima de tudo – falta de compaixão.
Por isso ele nem se ressentia em tomar o caldinho que fica quando o sorvete derrete. E a expressão que ele fazia quando ela pedia o último gole da cerveja antes de saírem do bar.
E sem paixão o que sobra do amor?

Agora ele espera o metrô na plataforma.
Sentado em cima da mala. Não olha vagamente.
Tem os olhos fixos no ventilador. Analisa os danos.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Ecos, coração, estrelas

No escuro do cometa azul
Que desliza pela estrada sem cor
Ecoam insistentemente as batidas
Do coração que ficou pra trás
E ao ouvi-las se transformam
Nas estrelas do céu de Minas Gerais.

E os olhos que verteram lágrimas
Ainda que de saudades –
Felizes – não de dor,
Expeliam das mais brilhantes
Águas, cevaram o amor.