segunda-feira, 20 de maio de 2013

Impulsível



E do erro surgiu o novo
A emaranhada dialética surgiu da ignorância
E a tolerância permitiu acontecer

Não sabendo escrever,
O analfabeto foi lá e escreveu:
Impulsível.

E foi o impulso pra que a magia surgisse
E a vida fez-se nova

O gramático continuou a corrigir impassível

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Pássaro Liberto

A Rafael Larrea

Canta a liberdade o pássaro liberto
Canta também aquele que está preso
Não pode cantar outra coisa quem tem asas
Não pode se contentar com coisa menor
[quem tem sonhos

A guitarra toca o louvor à nova história
Embala o caminhar dos lutadores
Ressoa mais alto que o grito dos conservadores
Há de tocar o hino da nossa vitória

domingo, 14 de abril de 2013

Sobre amores e revoluções


Se aproxima a hora de decisão
O amor precisa ter
Ser e fazer revolução

Porque não se reduz jamais uma história
Que só muita paixão pode fazer suportar
Carregar sua cruz eleva a glória
E a superação se faz invejar

Como a distância entre as margens
Que só engrandece um rio
A dureza larga e funda da saudade
Amplia o querer por mil

E durante todo o dia
Te vejo em minha frente
E escrevo poesia, pra te contar
Como só assim fico contente

Mas não há pior tempo para escrever
Do que o momento de defender
O indefensável
Dizer que o que hoje nos faz sofrer
Será o motivo de nos tornar inseparáveis

Então lembre que eu aqui fico sonhando
Sabendo que se torna (aos poucos) realidade
O momento que (nós dois) ansiamos
De plena e infinita felicidade

Não tenha dúvida mas questione
Como o Sol que se põe à tarde

domingo, 31 de março de 2013

Assumo-me poeta

Frase do psicólogo soviético Lev Vygotsky
Não colocar as ideias em palavras é viver nas sombras!


Assumo-me poeta
E faço com a única intenção
De dar as minhas frases desconexas
Uma vulgar profissão

Às rimas dou-lhes títulos
Às paráfrases dou razão
Às antíteses dou ouvidos
E aos sonetos, promoção

Assumo-me poeta
E já caio em contradição
Rimas soltas, rimas certas
Sonetos, odes, ou canção?

Aos verbos dou-lhes vírgulas
Às certezas, opção
Ao sentido, tiro a clareza
Dos sinais de pontuação

Assumo-me poeta

sábado, 30 de março de 2013

Naquela noite ele queria ser outro


Naquela noite ele queria ser outro.  Não suportava sua existência tão comum há tantos anos. Era uma sexta à noite e ele precisava mudar. Havia chegado a hora de fazer acontecer.

Sugeriram-lhe que fosse Jesus. Achou simpático demais. Muito bondoso, muita compaixão. Além do mais, poderia ser trocado por um bandido. Esse seria o estopim para distorcerem tudo que dissesse e enganar o pobre povo que o acreditaria cegamente.

Sugeriram-lhe que fosse Galileu. Um grande revolucionário, pensou. Mas que recuou para não perder a vida. E um revolucionário deve morrer de pé, jamais em retirada. Tudo podia ser diferente se Galileu tivesse suportado as armas da tortura dos falsificadores de Jesus.

Sugeriram-lhe que fosse Napoleão. Impactante, foi como observou. Mas se fosse para ser conquistador, ao menos seria um herói e não um louco. Talvez Bolívar, retrucou.

Sugeriram-lhe que fosse Ford. Automático demais. Como poderia suportar ter criado o lucro em cima da repetição. Um atraso para o mundo. Homens cegos com um único movimento salvo em suas memórias.

Sugeriram-lhe que fosse Don Juan. Isso era tentador. Era de amor que precisava. Mas suas paixões

segunda-feira, 11 de março de 2013

Protesto Poético

O poeta russo Maiakovsky

Não vou renegar meu passado de poeta analfabeto
Não vou me curvar às regras da burguesia da língua
Vou ser um rebelde dos versos sem métrica
Farei passeata pelas estrofes com as palavras oprimidas
Caminharei de mãos dadas com os sentimentos
Carregarei a bandeira do livre-arbítrio literário
Fonemas, adjetivos, verbos e substantivos
Perderão seu caráter de classe e seus privilégios sintáticos
Todos serão palavras. Sem distinção de raça, credo, função ou cor
Minha poesia será para os que não sabem ler
Será para os que não compreendem o ultralfabetismo do intelectual
Será para os que trabalham e sabem do que eu digo

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Duas linhas de amor


Isso aí. Tem que botar o coração nas palavras
E o bom humor na vida
Cantar as alegrias e as vitórias
Fazer uma festa com nossas memórias
Esquecer nessas horas que a labuta é sofrida
Passar o dia fazendo o que é melhor
Fazendo o melhor possível aquilo que é preciso fazer
Fazendo o que ninguém faz
Pois é preciso botar o amor entre as linhas
Não deixá-lo na linha de fundo
Nem jogado para escanteio
Ou impedido por alguém que não quer deixá-lo passar
O amor tem que estar no ataque
O coração tem que estar na ponta da língua
Pulando do peito, apertando a garganta.
O amor tem que estar nos lábios
E o coração nos braços
Tem de receber outros braços
E molhar outros lábios

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Na Avenida São João, entre lojas de discos e edifícios vazios


Esse meu coração frio morando na Avenida São João
Entre lojas de discos e edifícios vazios
Tentado a se jogar do precipício
No abismo do Viaduto do Chá
Pelo chá de cadeira de Santa Ifigênia que não quer lhe escutar
A memória vai ladeira abaixo
Não adianta, não acho na Vinte e Cinco de Março
Trabalhadores no centro de São Paulo
durante a Greve Geral de 1917
Nenhuma travessa de confiança que me leve até a Luz
A luz se apaga detrás da vidraça
E vira fumaça do crack
Que queima no cachimbo da dor

sábado, 19 de janeiro de 2013

Poema forçado às seis da manhã

Sente aqui, por favor, que eu quero lhe contar
Essas horas todas de viagem foram suficientes pra pensar
Na vida que eu deixei pra trás
Na vida que eu quero levar e te levar
E muito mais

Não que eu tivesse de acabar com outras dúvidas
Nem que precisasse brigar com coisas miúdas
Mas eu morro de pavor se eu só sonhar
E não pensar
E mais

Sente aqui com seu amor e venha me acompanhar

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Quando você


Quando você
Morrer de amor
Viver de dor
Sofrer de rancor

Quando você
Morrer de dor
Viver de rancor
Sofrer de amor

Quando você
Morrer de rancor
Viver de amor
Sofrer de dor

Você vai entender
Que tudo pode ser diferente
Diferente, diferente

Quando você
Morrer de amor
Viver de amor
Sofrer de amor

Quando você

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Por que tornei-me professor

Não é fácil compreender o que é ser professor!
Hoje, depois de ter entregue e receber a aprovação ao último trabalho exigido para minha formação, posso dizer – com o orgulho que me traz esse direito – que sou um professor. Mais um soldado do exército da educação. Mais um, entre tantos outros homens e mulheres, que dedicará sua vida a conceder a liberdade a outras pessoas. Pois se uma revolução social pode trazer a libertação social, somente a educação pode trazer a libertação individual. Só a educação pode levar o indivíduo ao conhecimento e à sua autonomia para compreender o que ele é.
Foram quatro anos de esforço. Faço questão de não usar o termo “sofrimento”. Pois não foram quatro anos de sofrimento. Se, em algum momento eu exigisse – ou tenha exigido, quando ainda não era capaz de compreender esse erro – que os professores me facilitassem o caminho até minha formação, ou que amigos me favorecessem nas tarefas que me levariam ao orgulhoso título de professor, eu estaria sendo submisso à ignorância. Estaria renunciando ao conhecimento e abdicando do direito de me considerar o mais honroso dos profissionais. Estaria sujando minha própria história e deixando de ser digno de me tornar professor.
Não digo que tal coisa não possa ter acontecido. É permitido que um estudante – e recuso-me a usar o termo aluno, pois deriva de uma expressão do latim que significa “sem luz” – cometa erros, para isso servem as avaliações e a habilidade corretiva do professor. Mas o erro de querer tornar-se um professor por caminhos mais fáceis é um erro que o estudante deve reconhecer e abandonar em um momento da sua formação. E é esse momento que faz com que ele deixe de ser um estudante para tornar-se professor.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Na estrada 61



129 crianças e mulheres

14 famílias

Na estrada 61

Passando frio em volta das terras que nos foram tomadas

Você homem branco acha que é igual aqui no Sul

Chega com suas máquinas e seus capangas 

Agredindo quem vive só com o Sol

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Nessa vida tudo passa


Nessa vida tudo passa
Vai-se embora na cachaça
Um amor de verdade

Eu sei um pouco de desgraça
O coração se despedaça
Em cacos de saudade

Lembro da ladeira que eu passava

domingo, 13 de maio de 2012

Sabe o que é?


Sabe todas aquelas coisas que eu gosto de falar?
Seja no pé do ouvido ou na mesa do bar
É tudo poesia em cada ironia
É só o coração em cada indecisão

Sabe aquelas atitudes que te fazem irritar?
Um a resposta grosseira ou o tom no falar

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Amada-Amiga


Um abraço pra matar a saudade
Um “até logo querida”
Não deveria assustar, pois a verdade
É que o amor sempre esteve em minha vida

Amizade sincera
Não deve ser escondida
Quem nos completa deve
Ser nossa fiel companhia

Há uma coexistência
Entre amada e amiga