terça-feira, 13 de outubro de 2009

Soneto da amizade

Poema dedicado aos meus melhores amigos,
Dedé, Érica, Vitor e toda família, em homenagem ao nascimento do Vitor!!!

Descuido nosso deixar uma amizade crescer assim
E hoje não tem mais como voltar atrás
Da minha parte não há porquê ter fim
E sim na verdade crescer cada vez mais

Vamos seguindo caminhos diferentes e iguais
Iluminados pelo brilho do ouro do Bonfim
Tem mais um personagem pra trazer nova paz
Outro motivo pra gastarmos nossos risos de marfim

Realizando sonhos e registrando nossa história
É engraçado lembrar de tudo que aconteceu
Rir depois de tanto tempo das nossas memórias

Inspirados pelo anjo que nesta quarta-feira nasceu
Calo-me pois as palavras já não dizem nada agora
A distância elimino com a irmandade que a gente teceu

Marcelino

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Sou

Minha vida é uma poesia sem rimas
É uma prosa sem segundo personagem
É um caminho, uma rua sem saída
É um corpo que já não tem mais alma
Pra onde nem os discos voadores vão olhar

Sou um ponto, do ponto de interrogação
Um ponto sem o qual o universo se perde
Mas que pode muito bem existir só em massa

Minha vida é uma voz sem som, sem sentido
É uma língua sem tradução para o inglês
É braço forte sem emprego
É um coração sem amor, sem oxigênio

Sou uma questão infundada
Uma dúvida que paira no ar
Sem ninguém pra pensar
Sou uma pena, sem tinta,
Sem papel, sem idéias

Marcelino

domingo, 27 de setembro de 2009

Onde

Busco o estudo que mais me agrada
O sustento com o que me satisfaz
O descanso em minha própria casa
O divertimento onde me apraz
Só peco onde não poderia errar
Procuro o amor onde não está!!!

Marcelino

sábado, 12 de setembro de 2009

Abusada

Te fiz acordar cedo
Acordei de madrugada
Pra pegar a estrada
Rumo à Terra do sossego

A chuva veio junto
Acompanhou nosso passeio
Um dia meio morimbundo
Alterou nosso roteiro

Chegamos à sua casa
Até a alma ensopada
Usei teu sabonete, banho quente
Me sequei com sua toalha

Usei sua pasta de dente
Larguei tua cama bagunçada
Teus discos me embalaram
Me sustentou tua macarronada

Só te dispensei quando dormi de madrugada
Mas não te dei descanso nem nos meus sonhos
Onde um rapaz muito prendado
Apareceu assim meio risonho

Anunciando o bom tempo
Uma segunda-feira ensolarada
Não dei chance pro lamento
Não pude reclamar de nada
Só tive bons momentos
E quando me achava abusada

Você me calou com uma poesia
E eu muda de alegria
Só pude responder:
- Obrigada!

Marcelino

Grande idéia

Acabei de ter uma grande idéia:
Por que você não vai fundo e tenta ser feliz
Sei que não tenho bons argumentos
Lembra que meu perfume é muito amadeirado pra você

E hoje eu prometo que não vou mais beber
Eu acho que consigo, mas é que
Às vezes eu preciso de companhia pra viver

Cheguei de madrugada em casa
Só porque insisti em te deixar a salvo
Tudo bem eu percebi,
Que o mundo não gira em torno de mim
E isso vai fazer eu ser ainda mais feliz

Me prometa que continuaremos
Trocando os nossos livros
Mesmo com o passar dos anos

Eu quero ter uma enorme biblioteca
E alguém que entenda o que escrevi
E se você quiser posso te indicar
Uma canção de amor

Marcelino

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pra falar a verdade

E pra falar a verdade
Eu nem queria lhe escrever
Sei da sua pouca vontade
Em me perceber
Mas é única a oportunidade
Você vai entender

Por maior recompensa, ou tesouro
Fiz tudo que você me pediu
Te entreguei de mão beijada à outro
E você me sorriu
Me deixou uma cerveja na mesa
E outra paga pra minha consolação

E ao te ver sorridente
Queimou-me a ira que eu tinha
Não pude conter entre os dentes
E assim linha por linha escrevi este bilhete
Pra que o garçom te entregue quando você voltar

E pra não fazer desfeita
Terminei a cerveja e risquei teu nome da lista
Foi a forma perfeita
De selar tua conquista
Meu plano de vida- tua felicidade
Eu que um dia fui tachado de chantagista

Espero ser perdoado
E que esse cara ao teu lado
Faça melhor que eu faria

Marcelino
Tenho memórias recentes do que não aconteceu
Talvez esteja sofrendo da praga de Romeu
De nunca ter concluídas as coisas do coração

Quem sabe seja a síndrome de Platão
Nunca alcançar a alegria inteira
Só felicidade pela felicidade alheia

Uma medalha de honra pelo serviço prestado
Um lugar no altar, bem ao seu lado e um
Parágrafo no discurso agradecido por ter te mostrado
A melhor pessoa do mundo

E eu onde entro nessa história, será
Que só no álbum de memórias
Dos tempos da faculdade
Onde a gente prometia que iria alimentar
Nossa amizade pra nunca definhar
Aqueles velhos planos de vida

Você pensava em se casar, eu sonhava em ter filhos
Você não queria arriscar, eu corria sobre os trilhos
E quem acabou mais feliz?

Ainda hoje agradeço por ter te conhecido
Pelos momentos divididos, e ter confirmado
Que eu vim para servir

E do almoço de domingo eu não posso reclamar
Aquele molho branco você tem que me ensinar
Talvez eu conquiste alguém pela barriga
E ainda minha amiga
Não se preocupe a culpa não é sua

Eu só não soube me expressar

Marcelino
Hoje me peguei chorando
Sozinho em frente a televisão
Como pôde algo que eu faço a tanto tempo
Me causar tamanha emoção

Quantas vezes fiz a mesma coisa
Nunca senti nada diferente
Mas hoje estourou essa bolha
Pude me ver frente a frente

Cansei de buscar o impossível
Se o possível já é demais pra alcançar
Olhe só o tamanho do dicionário
E eu nem sei o be-a-bá

Eu que pensei que sabia amar
Não chego aos pés de uma personagem
Mas talvez se eu pudesse demonstrar
Melhoraria a minha imagem

Só escrever poesia não é nada
Chega de orações, vamos aos atos
Ensaio não encanta ninguém
O que vale é o que se faz no palco

Marcelino

domingo, 30 de agosto de 2009

Anjo da guarda

Experimenta o que nunca provou
Vem comigo esquece o que passou
Não há só uma forma de amor
Se já não vale a pena insistir
Não é o orgulho que vai lhe servir

E se eu dissesse que ninguém pode te amar como eu
Isso faria diferença pra você?

Não pode haver guerra santa
Isso é falta de concordância
Por que custaria tanto
Algo que já não prestou
Não entendo essa agregação de valor

Mas se o amor é assim, e eu?
Não sou digno de um bem-querer

Mostrei ontem quanto eu valia,
Ainda valho e vou valer
Foram os comunas que ganharam
A guerra, e quem tá no poder
O que fez pra merecer?

Quantas dúvidas na minha cabeça eu não sei como responder
Mas e quanto vale meu amor

Estou anotando na contra-capa
Lá onde ninguém vai ler
Que você merecia ser feliz
Queria que você lesse tudo que fiz
E soubesse quanto eu quis bem de você

Me pague duas cervejas e um brinde pela nossa amizade
E já será o suficiente pra mim!

Marcelino

Recomeço

Vamos conquistar tudo pelo nosso valoroso braço
E entregar à mordida do leão
Vamos freqüentar a Igreja verdadeira
E usar água benta como solução-tampão

Vamos chorar lágrimas de crocodilo
E esperar pela ajuda do sindicato
Que nos roubou um dia de trabalho
Pra fazer um belo calendário

Talvez o dia esteja tão bonito
E eu não quero lembrar o que passou
Vou esfregar os olhos pra apagar minhas lembranças
Botar uma roupa nova e sair pra trabalhar

É que eu preciso aprender a pensar
Contar vantagem na mesa do bar
No fim do happy hour

Marcelino

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Calmaria

Entre nós instaurou-se o silêncio
Eles foram seguindo adiante
Como se houvesse um consenso
Que nós seríamos belos amantes

Se dissesse um verso era pouco
Se fizesse mil talvez louco
Bem dizer sua formosura, redundância
Excluir sua moldura, ignorância

Foste eu atrevido, sensato
Que momento oportuno e barato
Jamais daria a boa sorte outra vez
Pra quem descaso do acaso fez

Perdi a chance cedida
Talvez de mudar-me a vida
De evitar essa sua viagem
Ou enfiar-me na sua bagagem

E nem que fosse no pensamento
Carregaria-me por um momento
Um pouquinho lá no fundo da alma
Traria-me tão terna calma
Que eu nunca mais quisera dispensar

Marcelino

domingo, 16 de agosto de 2009

Juízo final

O seu São Pedro
Eu não tenho pressa não viu
Sei que aí é o Paraíso
Mas prefiro ficar no Brasil

Não tenho interesse
Em passar pro outro lado do véu
Enquanto der pra ir empurrando
Vou faltando na chamada do céu

Eu sei que aí só quem comemora
É o time do São Francisco
Mas não vai me leva embora
Logo agora que Timão não corre mais risco
Vamos buscar mais um título
Depois da liberta eu vou

Você já levou o Cartola
Elvis e Raul Seixas
Se não for falta de respeito
Vou aproveitar a deixa
Aceite a minha queixa
Depois do Chico Buarque eu vou

Acho que já ta chegando a hora
De encerrar o trabalho nesse tribunal
Também acho que mereço a vitória
Pelo menos pela cara de pau
Vamos deixar pra depois
O meu juízo final

Marcelino

Otenos

Fica cochichando com a vizinha
Mas todo mundo sabe
Que você ainda é minha

Fica espalhando por todos os cantos
Que eu sempre te ligo
Soluçando aos prantos

Mas a verdade
Sou quem vai contar
Enquanto você chora
Eu estou no bar

À sambar de alegria
Pois estou vivendo mais um dia
Não tenho um amor pra me atormentar
Agora estou em paz e posso cantar

Marcelino

Quando digo que te amo

Por que mudaste de plano
Tu que achavas tão piegas
Hoje quando me vê nega
Que pensaste assim
Quando disse que te amo

Por que mudaste teu pensamento
Pena que não foste à tempo
De aceitar
Quando disse que te amo

Hoje quando me encontra
Tenta reverter o engano
Mas não importa a afronta
Eu não digo que te amo

Sei que você gostaria de ouvir
Mas foi tamanho o dano
E você há de convir
Que não posso dizer que te amo

Mas, no entanto lá no fundo,
Guardado com segurança
Existe ainda a esperança
De um dia, contudo,
Eu gritar que ainda te amo

Marcelino

sábado, 18 de julho de 2009

Conviccção

Certeza, destino e convicção são coisas distintas.

Certeza é aquela sensação que todo mundo tem até começar a fazer algo, tudo vai dar certo até o primeiro passo quando já se começa errado. Destino é aquele coitado que sempre leva a culpa sem fazer nada, quando tudo da errado e já não se tem certeza de nada, é hora de botar a culpa no destino, e também se pode falar que Deus quis - isso nos casos mais graves – mas o destino sempre leva a culpa. Já a convicção é algo surpreendente, quando uma pessoa tem convicção ela tem certeza que tudo vai dar certo e o destino já está traçado e vai ser como ela quer.

Aí que mora o perigo. Josiel – nunca li esse nome nos textos do Veríssimo ou do Stanislaw, ou seja lá de quem for – era um cara de muitas certezas, um destino e muita convicção. Desde jovem tinha um sonho não muito comum entre os seres do sexo masculino de qualquer outro planeta que não seja o nosso, ser jogador de futebol. Começou cedo e haja visto muito mal, não acertava nem a cabeça do pai no gramado de casa – nenhuma das duas por sinal – não acertava a vidraça, não derrubava quadros dentro de casa, nem estourava o dedão no paralelepípedo na hora do chute fatal. Na verdade nem acertava a bola, só tocava nela quando chutavam nele, nem sempre por engano, foi assim que teve a certeza de que seria goleiro.
Começou bem, primeiro jogo, primeiro título sem tomar um gol, até quando saiu do banco de reservas para o momento mais glorioso para um goleiro, substituir o titular depois que ele cometeu um pênalti. Saiu-se muito bem, ileso do escorregão que levou quando foi saltar pra dentro do gol pra buscar a bola, nunca mais jogou nem futebol de botão. Guardou as luvas numa caixa para que elas não contagiassem mais ninguém.Como era jovem continuou nos esportes, adorava bicicletas, praticava bicicross – o nome era feio na época – na primeira corrida a barreira não abriu e ele não saiu ileso do tombo desta vez. Voltou depois de meses e no momento mais preocupante a barreira abriu, tinha passado o pesadelo e começado outro, saiu empinando só que a roda da frente não foi ele tinha apertado mal, a porca tava um pouco espanada, mas como ele tinha certeza que dava pra continuar, foi, e pois a culpa no destino.Desistiu dos esportes foi ser músico, adorava música era algo fenomenal.
Comprou um violão e na primeira nota a corda estourou no seu rosto e ele nunca mais tocou. Optou pela bateria - era mais segura, até a primeira baquetada quando quebrou o dedo no aro da caixa. Passou a tocar sax. Os dedos obedeciam, ia bem, chegou a montar o “Josiel e sexteto incerto” mas aos poucos descobriu a asma e abandonou o sexteto que se transformou num “quinteto certo”. Guardou os instrumentos num quarto junto as suas decepções.
Resolveu trabalhar, talvez assim com mais esforço conseguisse fazer algo que lhe rendesse reconhecimento - e ele veio – mole, imprestável, lerdo, burro, trambolho, etc... Ainda assim conseguiu se manter empregado e subir de cargo se tornando até um bom profissional, não ouvia mais xingamentos, não de colegas de trabalho, só do chefe.
Decidiu se casar estava convicto que era o momento, encontrou a mulher da sua vida, como ele sempre sonhara, seria muito feliz. Comprou carro, casa, e deixou os pais orgulhosos, pela primeira vez por mais de cinco minutos, e então quando foi mudar pra nova casa, abriu aquele quarto onde se guarda tudo que não presta – pelo menos pra gente – e quando juntou tudo teve a maior convicção que ali estava um Josiel justamente como ele sempre quis ser.

Marcelino