quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Duas linhas de amor


Isso aí. Tem que botar o coração nas palavras
E o bom humor na vida
Cantar as alegrias e as vitórias
Fazer uma festa com nossas memórias
Esquecer nessas horas que a labuta é sofrida
Passar o dia fazendo o que é melhor
Fazendo o melhor possível aquilo que é preciso fazer
Fazendo o que ninguém faz
Pois é preciso botar o amor entre as linhas
Não deixá-lo na linha de fundo
Nem jogado para escanteio
Ou impedido por alguém que não quer deixá-lo passar
O amor tem que estar no ataque
O coração tem que estar na ponta da língua
Pulando do peito, apertando a garganta.
O amor tem que estar nos lábios
E o coração nos braços
Tem de receber outros braços
E molhar outros lábios

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Na Avenida São João, entre lojas de discos e edifícios vazios


Esse meu coração frio morando na Avenida São João
Entre lojas de discos e edifícios vazios
Tentado a se jogar do precipício
No abismo do Viaduto do Chá
Pelo chá de cadeira de Santa Ifigênia que não quer lhe escutar
A memória vai ladeira abaixo
Não adianta, não acho na Vinte e Cinco de Março
Trabalhadores no centro de São Paulo
durante a Greve Geral de 1917
Nenhuma travessa de confiança que me leve até a Luz
A luz se apaga detrás da vidraça
E vira fumaça do crack
Que queima no cachimbo da dor

sábado, 19 de janeiro de 2013

Poema forçado às seis da manhã

Sente aqui, por favor, que eu quero lhe contar
Essas horas todas de viagem foram suficientes pra pensar
Na vida que eu deixei pra trás
Na vida que eu quero levar e te levar
E muito mais

Não que eu tivesse de acabar com outras dúvidas
Nem que precisasse brigar com coisas miúdas
Mas eu morro de pavor se eu só sonhar
E não pensar
E mais

Sente aqui com seu amor e venha me acompanhar

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Quando você


Quando você
Morrer de amor
Viver de dor
Sofrer de rancor

Quando você
Morrer de dor
Viver de rancor
Sofrer de amor

Quando você
Morrer de rancor
Viver de amor
Sofrer de dor

Você vai entender
Que tudo pode ser diferente
Diferente, diferente

Quando você
Morrer de amor
Viver de amor
Sofrer de amor

Quando você

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Por que tornei-me professor

Não é fácil compreender o que é ser professor!
Hoje, depois de ter entregue e receber a aprovação ao último trabalho exigido para minha formação, posso dizer – com o orgulho que me traz esse direito – que sou um professor. Mais um soldado do exército da educação. Mais um, entre tantos outros homens e mulheres, que dedicará sua vida a conceder a liberdade a outras pessoas. Pois se uma revolução social pode trazer a libertação social, somente a educação pode trazer a libertação individual. Só a educação pode levar o indivíduo ao conhecimento e à sua autonomia para compreender o que ele é.
Foram quatro anos de esforço. Faço questão de não usar o termo “sofrimento”. Pois não foram quatro anos de sofrimento. Se, em algum momento eu exigisse – ou tenha exigido, quando ainda não era capaz de compreender esse erro – que os professores me facilitassem o caminho até minha formação, ou que amigos me favorecessem nas tarefas que me levariam ao orgulhoso título de professor, eu estaria sendo submisso à ignorância. Estaria renunciando ao conhecimento e abdicando do direito de me considerar o mais honroso dos profissionais. Estaria sujando minha própria história e deixando de ser digno de me tornar professor.
Não digo que tal coisa não possa ter acontecido. É permitido que um estudante – e recuso-me a usar o termo aluno, pois deriva de uma expressão do latim que significa “sem luz” – cometa erros, para isso servem as avaliações e a habilidade corretiva do professor. Mas o erro de querer tornar-se um professor por caminhos mais fáceis é um erro que o estudante deve reconhecer e abandonar em um momento da sua formação. E é esse momento que faz com que ele deixe de ser um estudante para tornar-se professor.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Na estrada 61



129 crianças e mulheres

14 famílias

Na estrada 61

Passando frio em volta das terras que nos foram tomadas

Você homem branco acha que é igual aqui no Sul

Chega com suas máquinas e seus capangas 

Agredindo quem vive só com o Sol

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Nessa vida tudo passa


Nessa vida tudo passa
Vai-se embora na cachaça
Um amor de verdade

Eu sei um pouco de desgraça
O coração se despedaça
Em cacos de saudade

Lembro da ladeira que eu passava

domingo, 13 de maio de 2012

Sabe o que é?


Sabe todas aquelas coisas que eu gosto de falar?
Seja no pé do ouvido ou na mesa do bar
É tudo poesia em cada ironia
É só o coração em cada indecisão

Sabe aquelas atitudes que te fazem irritar?
Um a resposta grosseira ou o tom no falar

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Amada-Amiga


Um abraço pra matar a saudade
Um “até logo querida”
Não deveria assustar, pois a verdade
É que o amor sempre esteve em minha vida

Amizade sincera
Não deve ser escondida
Quem nos completa deve
Ser nossa fiel companhia

Há uma coexistência
Entre amada e amiga

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Chuva doce


Tomei um pingo de chuva nos lábios
Enquanto estava de olhos fechados

Cochilando,
Tentando sonhar com você.

Estranho, como, ele era doce!

Doce como seu gloss.
Doce como você.
Doce como nós!

Um pingo de chuva
Afogou de paixão meu coração!

Marcelino

domingo, 11 de dezembro de 2011

Desengano


Num desengano frouxo
De um diabo cocho
Que não consegue me alcançar

Alcanço um alarga vantagem
De ter tranqüilidade
Na hora de sonhar

Sonho com a liberdade
Do direito e da verdade
Que vem me aliviar

No alívio de cada nota afinada

domingo, 30 de outubro de 2011

Cantoria


Eu poderia passar a vida inteira
Te presenteando com uma canção por dia
Mas seria um desperdício da inspiração
Que você daria.

Eu deveria escrever uma canção
A cada vez que você piscar
Ou um verso onde pudesse eternizar
Seu sorriso.

Mas ele iria ofuscar a própria beleza
Da minha poesia.

Eu queria que houvesse palavras
Suficientes para poder te cantar

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Feriado

Eu vejo o dia nascer em seus braços
Os raios de Sol aquecendo nossa cama
Fundindo nossos laços
A luz entrando pela janela
Iluminando teu perfil
Deixando meu corpo febril
Roubando calor da tua pele
A voz do rádio ditando notícias
Os neurônios incitando malícias
O corpo tranduzindo em carícias
A porta aberta
O piso frio
O vento vindo do banheiro
O cachorro alerta
Um caminhante vadio
Nosso amor como alimento o dia inteiro

Nesse feriado me acabo em você

Já é tarde
O tempo muda
O quarto esfria
A gente não se desgruda
Isso te contagia
Um abraço forte
Um chá quente
Um pouco de televisão
Só falam de morte
Somos diferentes
Surge mais inspiração
O disco roda
Você acorda
Eu já terminei de escrever
A noite nos aborda
- Não me morda!!!
Dei minha vida pra você
A madrugada me derruba
Você me cobre
Eu desato a dormir
A brisa me perturba
Mas a gente ainda dorme
Sonhando com o próximo feriado
Mesmo sendo Finados
Não somos culpados
Por amar assim

E você também se acaba em mim!!!

Marcelino

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Infecção

Oh Baby,
Nos nossos sonhos tudo era tão simples
Depois vieram os tempos difíceis
Bombas e mísseis, e o tempo passou

Oh Baby,
Eu sei que não somos culpados por nossos vícios
E que eles nos levam a cometer esses crimes
Mas eu sempre desconfiei que você nunca me amou

Oh Baby
Eu só espero que você não me culpe
Nunca fiz nada com essa intenção
Mas às vezes o mundo não entende o que a gente falou

Eu não esperava que a máscara caísse
Que esse vírus te atingisse e eu sofresse a infecção
Mas eu te queria e só pensava nisso
Esse é teu álibi, você tem minha absolvição

Marcelino

domingo, 6 de dezembro de 2009

Contra o vento

E eu te espero sim
Espero até que me vejas
Não que vejas minhas obras
Mas que veja quem eu sou
Não importa que minhas atitudes
Espalhem-se pelos ventos
Se ao menos minhas palavras
Lhe chegarem ao coração

Não espero que largue sua vida
Que abandone tudo por mim
Mas eu estarei aqui
Por mais uns cinquenta anos
Com certeza meu coração estará vazio
Só a música e a poesia poderão entrar
Até que você me ligue
Pedindo uma cama pra passar a noite
E talvez você me ouça e queira
Uma casa para morar

Não seja as besteiras que falo
Nada que te impressione
Eu acho até que você nem pode me ouvir
Só não queria que você continuasse
Andando contra o vento
Sem poder gritar sem engolir as palavras

Até que volte você pra falar
Eu vou lendo e refletindo
E pensando coisas belas
Pra quando você quiser me ouvir
E esqueçamos tudo que nos falarem

Marcelino